contato@levycam.com.br

História da Moeda

Definição: Moeda é tudo aquilo que pode ser utilizado como meio de pagamento.

O dinheiro é reconhecido como um meio de troca aceito no pagamento de bens, serviços e dívidas. Além disso, a moeda serve para mensurar o valor relativo que algum tipo de riqueza ou serviço possui. O preço de cada mercadoria é atribuído por meio de um número específico de moedas ou cédulas que demarcam a quantidade a ser paga por esse bem. No entanto, nem sempre uma única moeda serve de referência para uma mesma localidade.

Ao longo dos séculos, a requisição de jazidas de ouro e de prata para a fabricação de moedas acabou se tornando cada vez mais difícil. Por isso, o papel moeda acabou ganhando maior espaço no desenvolvimento das transações comerciais. Na Baixa Idade Média, a falta de moedas motivava os comerciantes das feiras a utilizarem letras de câmbio para o estabelecimento de alguma negociação.

Hoje em dia, as moedas são mais utilizadas para o pagamento de quantidades de baixo valor. A perda de espaço para o papel-moeda fez com que as moedas metálicas agora fossem mais valorizadas por sua durabilidade do que por sua beleza. O rápido processo de circulação de valores e a complexificação de economias cada vez mais integradas, fizeram com que as moedas fossem substituídas por outras formas de pagamento, como o cheque e o cartão de crédito.

Conchas utilizadas como moeda entre os séculos 16 e 8 a.C. na China

No entanto, a moeda, em seu formato atual de disco metálico, teve uma origem um pouco mais precisa e recente. Segundo a maior parte dos estudiosos, ela surgiu no século VIII a.C., na Lídia, atualmente território turco. Na ocasião, era muito utilizado como meio de troca uma mistura metálica feita de partes iguais de ouro e prata, chamada eléctron. A cada troca efetuada, era necessário efetuar a pesagem das quantidades de metal. Para agilizar este processo, a mistura de eléctron recém-fundida passou a ser dividida em pequenas porções que já eram pesadas e marcadas. Assim, a moeda, com um formato semelhante às nossas atuais moedas, não precisava mais ser pesada, pois o seu peso já estava marcado nela mesma.

Moeda da Lídia do século VI a.C.

Moeda do reino grego-asiático de Báctria

A Idade Média caracterizou-se pela diminuição do comércio, devido à desorganização social gerada pelas invasões bárbaras. Com isto, diminuiu a necessidade de uso de moeda.
No entanto, em algumas regiões, como por exemplo no império bizantino, o comércio continuou a ser praticado em larga escala. Isto exigia uma moeda confiável e aceita por todos. Esta moeda era o nomisma ou besante, famosa moeda bizantina de ouro.
Moeda bizantina de ouro

História da moeda/Moeda na Idade Moderna

Com as Grandes Navegações, aumentou muito o fluxo de metais preciosos para a Europa, gerando inflação. Grande parte dos metais preciosos era proveniente da América, seja sob a forma de tesouros incas e astecas que haviam sido saqueados pelos espanhóis, seja sob a forma de metal extraído de minas (as Minas Gerais, no Brasil, e as minas de prata de Potosí, na Bolívia, por exemplo).
No Brasil, não havia grande quantidade de moeda em circulação, e o escambo era largamente praticado nas trocas entre os colonos portugueses. Os índios, desconhecendo o conceito de moeda, também praticavam o escambo com os portugueses, trocando pau-brasil, caça, animais vivos, plumas, peles, frutas e farinha de mandioca por espelhos, colares, tesouras, facas, chapéus, braceletes e machados de ferro.

História da moeda/Moeda na Idade Contemporânea

A moeda metálica, circular, padronizada e garantida por governos nacionais se impôs sobre os outros tipos de moeda e se tornou o gênero dominante de moeda. As moedas em metais preciosos, como o ouro e a prata, eram utilizadas em negócios de maior valor monetário, enquanto que as moedas de metais menos nobres, como o bronze e o cobre, eram utilizadas nas transações do dia-a-dia. Durante todo o século XIX, a moeda dominante a nível mundial foi a britânica Libra-Esterlina. Em 1921, a república brasileira abandonou as moedas de ouro, pois a inflação fazia com que o metal contido na moeda valesse mais do que seu valor nominal, estimulando que as moedas fossem fundidas em vez de serem usadas nos pagamentos. Pelo mesmo motivo, as moedas de prata deixaram de circular no Brasil em 1942, quando o réis foi substituído pelo cruzeiro como unidade monetária brasileira.


Nota de 50.000 cruzeiros de 1985 com o retrato do cientista brasileiro Oswaldo Cruz
Em 1975, Angola tornou-se independente de Portugal. Dois anos depois, surgiu a moeda nacional angolana: o kwanza.

Moeda de 5 kwanzas
Em 1986, surge uma nova unidade monetária brasileira, o cruzado, juntamente com o Plano Cruzado de estabilização econômica.


Moeda comemorativa de 200 cruzados novos emitida em 1989
Em 1994, com o advento do Plano Real, a unidade monetária brasileira passou a ser o real.


Notas e moedas de Real
No século XX, a hegemonia econômica norte-americana foi acompanhada pela preponderância do dólar norte-americano como moeda internacional. Com o surgimento da moeda comum europeia, o euro, em 2002, o dólar passou a dividir a cena mundial com ela. O advento do euro fez sair de circulação tradicionais moedas europeias, como o escudo português, a peseta espanhola, a lira italiana, o franco francês e o marco alemão.


Símbolo do euro


Símbolo do euro
Em 2002, o Timor-Leste conseguiu sua independência em relação à Indonésia. Adotou-se o dólar norte-americano como moeda oficial. Porém, no ano seguinte, o governo passou a emitir centavos nacionais com o mesmo valor dos cents norte-americanos.


Moeda de 50 centavos do Timor-Leste com o desenho de um pé-de-café (a principal riqueza agrícola do país) e de um kaibauk (símbolo de status dentro da sociedade timorense)
Hoje em dia, cada vez mais os cartões de crédito e débito ocupam o lugar das notas de papel e das moedas metálicas nas transações do dia-a-dia. São comuns também os pagamentos por meio de transferências bancárias via terminais de autoatendimento, internet.

História da moeda/Moeda no futuro

Espera-se que sejam utilizados cada vez mais meios eletrônicos de pagamento que substituam o papel-moeda e as moedas metálicas convencionais. Estes meios eletrônicos provavelmente farão parte da grande convergência tecnológica que se anuncia atualmente entre os microcomputadores, os telefones celulares, os aparelhos de televisão, rádio, DVD, CD e mp3 e a biometria (leitura de impressões digitais, palma da mão, íris etc). Esta convergência geraria um só aparelho que exerceria todas estas funções, inclusive a função de pagamento e movimentação da conta bancária.


Steven Jobs, presidente da Apple, apresenta o IPad, computador com teclado na tela, em janeiro de 2010 Outro campo que promete mudanças no futuro é o das moedas únicas continentais. O sucesso do euro como moeda única europeia despertou o interesse de outras organizações continentais pelo tema, que tem como principal atrativo o incremento do comércio intracontinental. Ásia, América do Sul e áfrica são continentes que estudam a possibilidade de implementar as suas moedas únicas em um futuro próximo. O principal obstáculo à adoção das moedas comuns é a necessidade de similaridade dos índices econômicos (taxa de inflação, déficit público, taxa de desemprego etc.) entre os países-membros, necessidade esta imposta pela ciência econômica ortodoxa como um pré-requisito para a união monetária.

Em verde, países membros do ASEAN + 3, organização que estuda a adoção de moeda única asiática


Em dourado, países membros do Mercosul, organização que estuda a adoção de moeda comum sul-americana


Em verde, países membros da União Africana, organização que planeja a criação de uma moeda comum africana

Cronologia do meio circulante brasileiro, desde o açúcar até o advento do real.

1580 a 1640 Circulavam no Brasil os reales hispano-americanos. A equivalência com os réis portugueses foi estabelecida em 1582.

1614 – O açúcar tornou-se moeda legalmente reconhecida. Século XVII – Os escravos negros da Bahia usavam como moeda pequenos caramujos, os búzios.

1645 – Surgiram em Pernambuco as primeiras moedas no Brasil, cunhadas pelos invasores holandeses.

1653 – O pano de algodão, segundo o Pe. Vieira valia como moeda no Maranhão.

1654 – O real português voltou a circular na Colônia.

1668 – Portugal aumentou em 10% o valor das moedas de ouro. A medida não foi adotada no Brasil.

1699 – Por ordem da Coroa, circularam no Brasil moedas de prata, com carimbo, no valor de 80, 160, 320, 640 réis.

1694 – Criou-se a primeira Casa da Moeda, na Bahia.

1698 – A Casa da Moeda foi transferida para o Rio de Janeiro.

1699 a 1700 – No Rio de Janeiro, a Casa da Moeda fez moedas de ouro, de 1.000, 2.000, e 4.000 réis, e de prata, de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis.

1700 – A Casa da Moeda mudou-se para Pernambuco.

1695 a 1702 – Por determinação real, passaram a circular no Brasil as moedas de cobre cunhadas no Porto, em Portugal, com valores de 10 e 20 réis.

1700 a 1702 – A Casa da Moeda, em Pernambuco, cunhou moedas de ouro no valor de 4.000 réis, e de prata nos mesmos valores anteriores.

1702 – A Casa da Moeda foi transferida novamente para o Rio de Janeiro, iniciando-se a cunhagem de moedas com matéria-prima inteiramente nacional.

1722 – Em 4 de abril regulamentou-se definitivamente o padrão legal para a moeda brasileira: a oitava de ouro valia 1.600 réis e a de prata 100 réis.

1724 – Uma terceira Casa da Moeda entrou em funcionamento. Ficava em Vila Rica, atual Ouro Preto, Minas Gerais.
1735 – A Casa da Moeda de Vila Rica encerrou suas atividades.

1749 – O Maranhão passou a ter moeda própria, cunhada em Portugal. As de ouro valiam 1.000, 2 000 e 4. 000 réis; as de prata 80, 160, 320 e 640 réis; as de cobre 5, 10 e 20 réis.

1752 – Nas Minas Gerais cunharam-se moedas de prata de 75, 150, 300 e 600 réis. Serviam de troco para ouro em pó.

1821 – D. João VI retornou a Portugal, esvaziando o tesouro. Todos os pagamentos foram suspensos iniciando-se a emissão de dinheiro sem lastro metálico.

1832 – O valor de uma oitava de ouro foi fixado em 2 500 réis. Surgiram moedas de ouro de 10.000 réis, com peso de quatro oitavas.

1834 a 1848 – Começaram a circular as moedas de prata da série dos cruzados, nos valores de 1.200, 800, 400, 200 e 100 réis.

1846 – A oitava de ouro passou a valer 4.000 réis. Cunharam-se moedas de ouro de 20.000, 10.000 e 5.000 réis. E moedas de prata de 2.000, 1.000, 500 e 200 réis.

1868 – Apareceram moedas de bronze, valendo 20 e 30 réis.

1871 – Surgiram às moedas de níquel, de 200, 100 e 50 réis.

1901 – Passaram a circular as moedas de níquel, de 400 réis.

1911 – O real brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional.

1922 – Fizeram-se às últimas moedas de ouro, de 20.000 e 10.000 réis. Continuavam a circular as de prata, de 4.000, 2.000, 1.000 e 500 réis. No mesmo ano surgiram moedas de bronze e alumínio, valendo 1.000 e 500 réis.

1936 – Apareceram moedas de níquel no valor de 300 réis.

1942 – O “cruzeiro” tornou-se a nova moeda nacional.

1967 – A desvalorização do “cruzeiro” levou à criação do “cruzeiro novo”, com valor mil vezes maior.

1970 – O “cruzeiro novo” voltou a chamar-se apenas “cruzeiro”.

1986 – A desvalorização do “cruzeiro” levou à criação do “cruzado”, com valor mil vezes maior.

1989 – A desvalorização do “cruzado” levou à criação do “cruzado novo”, com valor 1.000 vezes maior.

1990 – O cruzado novo volta a chamar-se “cruzeiro”.

1993 – A desvalorização do “cruzeiro” levou à criação do “cruzeiro real”, com valor 1.000 vezes maior.

1994 – A desvalorização do “cruzeiro” real levou à criação do “real”, com valor 2.750 vezes maior.

1998 – Lançada em junho a 2ª família de moedas do “real”.

Moeda de Papel

Na Idade Média, surgiu o costume de se guardarem os valores com um ourives, pessoa que negociava objetos de ouro e prata. Este, como garantia, entregava um recibo. Com o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem à moeda de papel. No Brasil, os primeiros bilhetes de banco, precursores das cédulas atuais, foram lançados pelo Banco do Brasil, em 1810. Tinham seu valor preenchido à mão, tal como, hoje, fazemos com os cheques.

Com o tempo, da mesma forma ocorrida com as moedas, os governos passaram a conduzir a emissão de cédulas, controlando as falsificações e garantindo o poder de pagamento.

Notas do Banco do Brasil

A criação do Banco do Brasil, por meio de Alvará de 12 de outubro de 1808, teve por principal objetivo dotar a Coroa de um instrumento para levantamento dos recursos necessários à manutenção da corte.

De acordo com seus estatutos, o banco deveria emitir bilhetes pagáveis ao portador, com valores a partir de 30 mil réis. As emissões do Banco tiveram início em 1810 e a partir de 1813 foram emitidos bilhetes com valores abaixo do limite mínimo inicialmente estabelecido.

Entre 1813 e 1820, as emissões atingiram 8.566 contos de réis, em grande parte determinadas pelo fornecimento de moeda-papel para fazer face às crescentes despesas da corte e da administração régia, que anualmente excediam a receita arrecadada. A partir de 1817, os bilhetes do Banco começaram a perder a credibilidade, sofrendo grande desvalorização.

Em abril de 1821, antes de regressar a Portugal, o rei e toda a sua corte resgataram todas as notas em seu poder, trocando-as por moedas, metais e jóias depositados no Banco, obrigando a instituição a suspender, a partir de julho, a conversibilidade dos bilhetes.

Notas do Banco do Brasil

SHERRARD, P. Bizâncio. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1981. pp.117-118R

História da Moeda no Brasil

LEONARD, J. N. América Pré-Colombiana. Rio de Janeiro: Livraria José-Olympio, 1980. p.102.

ALBANESE, M. Angkor. Barcelona: Folio, 2006. p.108.

Obtido em “História da moeda/Moeda na Idade Média”

Categoria:
História da moeda

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/cevada/cevada-3.php

http://genealogiadoalgarve.blogspot.com/2009/01/moeda-ao-longo-da-histria.html

GALBRAITH,J.K. Moeda: De Onde Veio, Para Onde Foi. 2º ed. Livraria Pioneira: São Paulo, 1983. p.8

A MOEDA AO LONGO DA HISTÓRIA

DAS PRIMEIRAS MOEDAS DE METAL NA CHINA ATÉ AS MOEDAS METÁLICAS DA ÁFRICA

Obtido em “História da moeda/Moeda na Idade Antiga”

Categoria: História da moeda

Este texto é disponibilizado nos termos da licença Creative Commons Atribuição-Compartilhamento pela mesma Licença 3.0 Unported; pode estar sujeito a condições adicionais. Consulte as ondições de Uso para mais detalhes.

Política de priva

GALBRAITH, J.K. Moeda: De Onde Veio, Para Onde Foi. Tradução: Sanvicente, Antonio Zoratto. 2ª edição. São Paulo: Livraria Pioneira, 1983. p.11

BUENO, E. DA C. A Coroa, A Cruz E A Espada. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006. pp.117 e 124 História da Moeda

Museu de Valores do Banco Central

PRADO JR., CAIO. História Econômica do Brasil. 39ª edição. São Paulo: Brasiliense, 1992. p.81.

Celular e biometria devem substituir cédulas e moedas, dizem especialistas

Cidade adota dinheiro social

Pioneiro, Banco Palmas é exemplo em economia solidária

Obtido em “História da moeda/Moeda na Idade Contemporânea”

Categoria: História da moeda

UE comemora 10 anos de sucesso do euro em 2009

MOEDA ÚNICA NO MERCOSUL: ASPECTOS FISCAIS

África vai ter moeda comum a partir de 2018

Fechar Menu